Meu filho, consiga para você um outro reino,
Pois este que deixo é pequeno demais para você.
Filipe
II
Rei da
Macedônia
A
MÚSICA
ALEXANDER THE GREAT
Somewhere in Time
1986
Letra de Steve Harris
Perto do Leste, em uma parte da antiga Grécia,
Em uma antiga terra chamada Macedônia,
Nasceu o filho de Filipe da Macedônia.
A lenda, seu nome era Alexandre.
Aos dezenove anos tornou-se o rei da Macedônia
E jurou libertar toda a Ásia Menor.
Pelo mar Egeu em 334 a.C.
Derrotou completamente os exércitos da Pérsia.
Alexandre, o Grande!
Seu nome colocava medo nos corações dos homens.
Alexandre, o Grande!
Tornou-se uma lenda entre os mortais.
Rei Dário III, derrotado, fugiu da Pérsia.
Os sumérios se renderam no rio Jaxartes,
Os egípcios também sucumbiram ao rei macedônio
E ele fundou a cidade chamada Alexandria.
No rio Tigre ele encontrou novamente o rei Dário
E o esmagou novamente na batalha de Arbela.
Adentrando Babilônia e Susa, tesouros ele encontrou.
Tomou Persépolis, a capital da Pérsia.
Alexandre, o Grande!
Seu nome colocava medo nos corações dos homens.
Alexandre, o Grande!
Tornou-se um deus entre os mortais.
Um rei frígio partiu em uma biga
E Alexandre cortou o nó Górdio.
E a lenda dizia que quem cortasse o nó
Se tornaria o governante da Ásia.
Ele espalhou o Helenismo por todos os lados.
A mente ensinada da Macedônia.
Sua cultura era um estilo ocidental de vida.
Ele pavimentou o caminho para o Cristianismo.
Marchando, marchando!
A cansativa batalha, marchando lado a lado.
Os exércitos de Alexandre, linha a linha.
Eles não seguiriam para a Índia.
Cansados do combate, da dor, e da glória.
Alexandre, o Grande!
Seu nome colocava medo nos corações dos homens.
Alexandre, o Grande!
Morreu de febre na Babilônia.
O
FILME
ALEXANDER THE GREAT (ALEXANDRE MAGNO)
1956
Dirigido e escrito por Robert Rossen
A
letra, escrita por Harris, é uma homenagem à história de Alexandre O Grande
(356-323 a.C.), lendário conquistador macedônio. Particularmente, a considero
um trabalho fantástico por tornar poética uma narração tão fidedigna e acurada
fatos históricos. Embora breve, a vida de Alexandre foi repleta de conquistas e
ele entrou para a História como um dos maiores líderes político-militares de
todos os tempos.
Para
essa música, duas escolhas eram possíveis: este épico em technicolor de 1956 e
o drama Alexander, estrelando um Collin Farrel de cabelos descoloridos e
dirigido por Oliver Stone. Ainda verei o segundo, que foi um fracasso de
crítica, mas optei pelo primeiro por provavelmente ter sido visto por Steve
Harris à época da composição de Powerslave e por meu apreço por esses grandes
épicos das décadas de 50-60. Em particular, este filme tem um ritmo bem
entediante e algumas atuações galhofas quando comparado a clássicos como Os Dez
Mandamentos do mesmo ano, mas ainda é bem interessante de conferir.
Como
o tema a ser explorado é uma passagem secundária, vou me estender um pouco
sobre o enredo para construir um contexto. O filme começa no contexto da
guerra, com os políticos de Atenas reunidos para discutir uma resistência ao
rei Filipe II da Macedônia. Enquanto isso, em sua terra natal, nasce Alexandre
III com o anúncio de que nascera um deus filho de Zeus. Isso irrita Filipe, que
desconfia de adultério por parte de Olímpia, mas seus generais o aconselham a
criar o garoto como seu sucessor. Isso faz com que Alexandre receba a melhor
educação disponível na época, tendo como tutor ninguém menos que o próprio
Aristóteles.
Como
o filho está impaciente para lutar ao lado do pai, Filipe o envia como príncipe
regente em Pella, capital da Macedônia, para conter sua esposa Olímpia. Nessa
época, o casamento estava desgastado e ele desconfiava que a mãe de Alexandre
estava tramando contra seu reinado. Entretanto, Alexandre governa para si
mesmo, evitando ser um peão de seus pais. Finalmente, Alexandre se junta a
Filipe em campanhas contra cidades-estados gregas. Triunfantes, eles exigem dos
derrotados apenas lealdade contra os persas, seus verdadeiros inimigos.
Filipe
II se divorcia de Olímpia. Alexandre então se distancia do pai, temendo a
chegada de rivais ao trono. Pouco tempo depois, um amigo leal a ele assassina
Filipe II e força a sucessão a seu favor. Alexandre então é aclamado rei por
todo o império, incluindo os gregos. Um único líder grego não aceita a
imposição de poder e é asilado na Pérsia, se tornando conselheiro de Dário III
da Pérsia.
Na
Ásia Menor, Dário é aconselhado pelo grego a queimar suas próprias colheitas e
recuar a fim de enfraquecer o exército macedônio. Em contrapartida, os generais
persas rechaçam a ideia e prometem derrotar facilmente o jovem rei.
Evidentemente, eles acabam massacrados por Alexandre.
Ao
passar pela Frígia, chega a Alexandre uma lenda de que o Oráculo anunciou que o
sucessor do rei da região chegaria à cidade num carro de bois. A profecia foi
cumprida por um camponês, de nome Górdio, que foi coroado. Para não esquecer de
seu passado humilde ele colocou a carroça, com a qual ganhou a coroa, no templo
de Zeus. E a amarrou com um enorme nó a uma coluna. O nó era, na prática,
impossível de desatar e por isso ficou famoso. Quem desfizesse aquele nó, seria
o novo rei de toda a Ásia Menor. O astuto Alexandre simplesmente desembainhou
sua espada e cortou o nó em um único golpe.
Na
Babilônia, Dário é derrotado e foge para o Mar Cáspio, deixando sua família
para trás. Seu objetivo era reorganizar as forças e resistir a Alexandre, mas
seus próprios generais o matam, desacreditados de sua capacidade. Em um
testamento, Dário diz a Alexandre: "Leve minha filha, Roxanne, para ser
sua esposa, para que nossos mundos se tornem um". Alexandre então ordena
que os senhores persas que cometeram regicídio sejam empalados por sua traição.
Nesse
momento, Alexandre se torna efetivamente O Grande. Ele avança até a Índia,
chegando ao fim do mundo e superando os deuses. Consigo, ele leva a cultura
helênica e a imponência de sua glória aos conquistados. Porém, recorrentes
episódios de paranoia e arrogância culminam no homicídio culposo de um amigo
íntimo chamado Cleito. Isso abala fortemente Alexandre e o faz recuar de volta
à Babilônia, perdendo vários soldados no caminho. Lá, ele cumpre o pedido de
Dário e se casa com Roxanne.
Acometido
por uma forte febre, Alexandre está em seu leito de morte aos 33 anos. Quando
perguntado por seus generais a quem deixaria todas as suas conquistas,
responde: “Ao mais forte”.
O
TEMA
La rencontre d'Alexandre et de Diogène de Sinope
Pierre Paul Puget, 1680
Diógenes, O Cínico, nasceu em 412 a.C. na hoje cidade
turca de Sinope. Ainda jovem, foi expulso de sua cidade natal sem direito a
herdar os bens de seu pai, um cunhador de moedas, justamente por ter sido
acusado de falsificação monetária. Migrou para a Grécia, se estabelecendo na
cidade-estado de Atenas. Lá, no tempo de Platão, conheceu a filosofia e se
tornou discípulo de Antístenes, ex-pupilo de Sócrates e fundador de filosofia
cínica. Logo superou seu mestre e passou a antagonizar diretamente com Platão,
a quem acusava de subverter o pensamento socrático.
Enquanto em Atenas, Diógenes viveu explicitamente sua
filosofia. Ele andava nu pela cidade e morava na rua, cercado por cachorros. De
fato, sua vida era como a de um cachorro, de onde se origina a palavra cínico
(kynikos, em grego). Tal como um cachorro, Diógenes era indiferente à
sociedade, desconhecia vergonha, comia e se masturbava em público. Ele
personificava sua crítica aos modos que considerava degradantes. Andava pela
rua durante o dia com uma lâmpada, apontando o rosto das pessoas. Quando
interpelado, respondia que procurava um homem honesto – e entenda por
honestidade algo como viver aquilo que se é. Seu único bem era uma tigela que
utilizava para beber água. Ao ver um menino tomando água fazendo uma concha com
as mãos, também se livrou da tigela, alegando ser um tonto por possuir tanto.
Próximo ao fim da vida, Diógenes passou a morar em um
barril na cidade-estado de Corinto. E foi lá que um dia recebeu a visita de um
jovem imponente, com ares de um deus, cercado de guerreiros e montado em um
cavalo considerado indomável.
Eu sou
Alexandre, O Grande – diz o jovem.
E eu sou
Diógenes, O Cachorro – responde o filósofo.
Eu sou
rei da Macedônia – continua o jovem – e senhor de toda a terra que o sol toca, da aurora até a alvorada. Com
meu exército, alcancei os confins do mundo e do Grande Mar Exterior. Levei a
cultura helênica aos povos bárbaros. E como admirador desta cultura, lhe
concederei o que desejar. Me peça qualquer coisa e eu te darei.
Apenas
não tire de mim aquilo que nunca poderia me dar – responde
Diógenes, fazendo um gesto com a mão para que Alexandre não obstruísse o sol
que o aquecia naquela manhã.
Diante de tamanha infâmia, os soldados que
acompanhavam Alexandre começam a rir, mas são interrompidos por um gesto:
Se eu não
fosse Alexandre da Macedônia, eu gostaria de ser Diógenes –
confessa o rei.
Seu eu
não fosse Diógenes, eu também gostaria de ser Diógenes –
retruca o filósofo.
Alexandre, em silêncio, devolve o calor do sol a
Diógenes e parte com seu exército. Ainda segundo a lenda, tanto Alexandre, O
Grande, quanto Diógenes, O Cachorro, morreram em 10 de junho de 323 a.C. O
primeiro deixou como legado tudo que o sol tocava. O segundo deixou o próprio
sol.
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